Praia Grande/SP: decreta luto oficial por falecimento de emancipadora

Dona Circe foi fundadora do Movimento de Arregimentação Feminina (São Vicente), Grupo de Bandeirantes de Praia Grande, entre outros grandes feitos. (Arquivo)

Circe Sanchez Toschi faleceu aos 94 anos, deixando uma vida de paixões políticas e lutas sociais

A Prefeitura de Praia Grande decretou hoje (11) pela manhã, de acordo com o decreto nº 6071 de 11 de julho de 2016, luto oficial de três dias pelo falecimento de Circe Sanchez Toschi, uma das emancipadoras do Município. Circe estava com 94 anos de idade e faleceu em casa. A bandeira da Cidade ficará hasteada a meio mastro durante o período de luto oficial.
Dona Circe, como era conhecida, nasceu em 10 de janeiro de 1922 em São Paulo. Filha de Heitor Sanchez e Othilia Ribeiro Sanchez, passou a freqüentar Praia Grande em 1925 acompanhando o pai, que iniciava o loteamento hoje conhecido como Bairro Guilhermina.
Em 1941, ingressou na Faculdade de Filosofia, não concluindo o curso por ingressar no serviço público, trabalhando no Departamento de Correios e Telégrafos como Postalista.
Ainda em São Paulo, casou-se com Oswaldo Toschi em 1944, se mudando para Praia Grande em 1946 já com a filha Suely pequena. Nesta época, o bairro de São Vicente era bastante isolado.
Sempre acompanhou o marido Oswaldo em sua carreira política como vereador de São Vicente e idealizador da emancipação de Praia Grande, que aconteceu em 1967. Através de diversas ações filantrópicas e políticas, passou a atuar de forma incessante na sociedade. Fundou a Associação de Caridade Santa Rita de Cássia (1967), foi presidente da Sociedade de Assistência à Infância em São Vicente, fundadora do Movimento de Arregimentação Feminina (São Vicente), Grupo de Bandeirantes de Praia Grande, entre outros grandes feitos.
Em 1969, candidatou-se a prefeita de Praia Grande, sendo a primeira mulher a concorrer ao cargo do Executivo. Em 75, recebeu o título de cidadã honorária do Município, através da Câmara de Vereadores.
Em 1992, concluiu o Curso de Extensão Universitária para a Terceira Idade, na Universidade Católica de Santos, e no ano 2000, publicou seu primeiro livro, “Memórias de Praia Grande”. Em 2003, o livro foi repaginado e publicado novamente com o título “Praia Grande Antes da Emancipação”.
Leitora e escritora voraz, publicou ainda o livro “Andanças de uma Vida”, em 2006. Fã de cinema, Dona Circe fazia questão de sua independência mesmo com a idade avançada. “Circe era uma mulher apaixonada pela vida, pelas pessoas em geral. Adorava ir ao cinema e fazia questão de assistir a filmes legendados. Gostava de caminhar pelo Boqueirão e observar o vai e vem das pessoas. Conversava e ajudava a todos, sempre com disposição e carinho”, conta Marcia Helena de Lima, responsável pelo Museu da Cidade e amiga pessoal da emancipadora.
Dona Circe recebeu diversas homenagens pela emancipação de Praia Grande. A última delas ocorreu em 19 de janeiro deste ano, quando o Município completou 49 anos de emancipação político-administrativa.
Sempre sorridente e bem disposta, acompanhou de perto cada passo do desenvolvimento de Praia Grande. Realizou diversas doações fotográficas e documentais para o Museu da Cidade, contribuindo enormemente com o acervo histórico do Município.
Viveu intensamente, como uma mulher a frente de seu tempo, deixando ensinamentos e lições de amor aos três filhos: Suely, Oswaldo Junior (falecido) e Heitor Orlando, cinco netos e dois bisnetos.

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