O Nubank pode fechar as portas. É o mercado selvagem

Li que um dos emissores de cartão de crédito que mais crescem no País, o Nubank, ameaça fechar as portas se o Banco Central confirmar, nesta terça-feira, 20, uma mudança drástica no prazo de pagamento das vendas aos lojistas.

Reduzir de 30 para 2 dias o prazo para ser repassado o valor da compra para o comerciante, como vem sendo ventilado em Brasília, vai representar o fim do negócio do Nubank.

A questão é: a justificativa do Temer, de impulsionar o comércio, é válida ou não?

Importa dizer, logo de início, que o Brasil é um dos países cujo prazo para o repasse é um dos maiores do mundo. Nos Estados Unidos e em muitos países da Europa, por exemplo França, o prazo para o repasse do valor da compra é de 02 (dois) dias, como quer o Michel Temer e muitos varejistas em nosso país. Na argentina, o prazo é de 07 (sete) dias. No Brasil, 30 (trinta) dias. Para o governo, o encurtamento do processo vai favorecer o varejista e contribuir para o aquecimento dos caixas.

O problema, segundo o Nubank, é que a mudança trará um custo adicional para todos os emissores de cartões de crédito, do Nubank aos bancos maiores, que dominam o mercado. A diferença é que o Nubank e os emissores menores não têm a mesma capacidade de financiamento de gigantes como Itaú Unibanco, Bradesco e Santander.

O Nubank pode fechar as portas o mercado selvagem

Se o Nubank não tem a mesma capacidade de financiamento, a pergunta que gigantes como Itaú e Bradesco fazem é: e eu com isso? Mercado é Darwiniano e vence o mais forte. Aliás, escreveu o István Mészáros no livro “Para além do capital”, p. 17:

Não se pode pensar em outro sistema de controle maior e inexorável – e nesse sentido “totalitário” – que o sistema de capital globalmente dominante, que impõe “seu critério de viabilidade em tudo, desde as menores unidades de seu ‘microcosmo’ até as maiores empresas transnacionais, desde as mais íntimas relações pessoais até os mais complexos processos de tomada de decisões nos consórcios monopólicos industriais, favorecendo sempre o mais forte contra o mais fraco.

Se esta mudança acontecer vai favorecer os varejistas, mas vai prejudicar o comprador que não terá mais parcelamentos sem juros – que diga-se de passagem é algo que só tem no Brasil. Vai acabar com algo genial como o Nubank, que presta um excelente serviço e vem crescendo cada dia mais. Mas é a vida, não é? Não basta só a meritocracia, só ser bom para crescer neste país, mas é preciso ser “amigo” do Estado, pra contar com o poder de uma “canetada” que altere regras e favoreça o grande, demolindo o pequeno.

Uma pena que o mercado seja assim: quer livre comércio, mas quando o bicho pega – como após a crise de 2008 – corre pra pedir ajuda do Estado. Quer competição, mas vive fazendo monopólio – e quando está perdendo espaço, corre pra o Estado regular o mercado e favorecer quem tem mais dinheiro – porque o Estado, já dizia Marx, “é um comitê instituído para gerenciar os interesses da burguesia”.

O mercado imita a vida sofrida de milhões de pessoas que não contam com a ajuda de uma tal “mão invisível”… Mas já que adoramos copiar tudo o que os Estados Unidos fazem, se lá o prazo é de 02 (dois) dias, de repente aqui vai dar certo – o que eu duvido.

Wagner Francesco
FONTE: JUSBRASIL

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