Distrito Federal: Izalci diz que é pré-candidato ao governo do DF e tem apoio da Executiva Nacional do PSDB

Foto: reprodução

Delmo Menezes Por Delmo Menezes

O deputado federal Izalci Lucas (PSDB), recebeu nesta semana a reportagem do Agenda Capital, para dizer que é pré-candidato ao governo do DF, e que o problema de Brasília não é falta de recursos e sim má gestão.

O parlamentar que é presidente regional do PSDB, tem percorrido todo o DF em busca de apoio político, ouvindo as principais lideranças da cidade e construindo segundo ele, um planejamento para o Distrito Federal.

Sobre a Saúde pública, Izalci ressalta que pretende trabalhar em conjunto com os servidores, e que não os considera como seus inimigos. O deputado destaca ainda as medidas provisórias 746 (reforma do ensino médio) e a MP 759 (regularização fundiária) que foram sancionadas recentemente.

Veja a íntegra da entrevista:

AC – Deputado, o senhor foi presidente de duas importantes MP na Câmara dos Deputados. A MP 746 do ensino médio e a MP 759 da regularização fundiária. O que na prática estas duas medidas mudam na vida dos brasileiros?

Izalci – Eu fui presidente das duas comissões mistas da Câmara dos Deputados. A MP 746 estava tramitando na Câmara a mais de 10 anos. O ensino médio no Brasil com 13 disciplinas obrigatórias, causava um desinteresse total do jovem. O jovem saia da faculdade sem nenhum preparo para o mercado de trabalho. Hoje apenas 17% entra na faculdade. O restante fica sem trabalhar, porque não foi preparado para o mercado de trabalho. Essa reforma do ensino médio coloca o aluno como protagonista porque ele vai poder escolher onde atuar. Ela também vai diminuir a evasão nas escolas e preparar o aluno para o mercado de trabalho. Este ano, está sendo aprovado a base nacional curricular, e no ano que vem passará a vigorar de acordo com a nova legislação. Essa reforma muda muita coisa na vida do aluno.  No futuro breve, posso afirmar que vai diminuir bastante a evasão escolar, porque vai proporcionar ao aluno, uma educação profissional de qualidade, e prepará-los e motivá-los para uma faculdade.

Já a MP 759, que foi sancionada pelo presidente Temer e virou lei, dispõe sobre a regularização fundiária rural e urbana, sobre a liquidação de créditos concedidos aos assentados da reforma agrária e sobre a regularização fundiária. Esta MP é muito importante, pois vai permitir que milhares de brasileiros, e o povo do Distrito Federal, possam realizar seus sonhos. No caso específico do DF, esta medida vai consolidar os condomínios fechados, e dar garantia aos proprietários de lotes, poderem ingressar no programa de venda direta. A regularização valerá ainda para imóveis situados na zona rural, desde que a área tenha ocupação e destinação urbana. Esta lei atenderá também moradores de conjuntos habitacionais promovidos pelo poder público. Metade da população brasileira vive de forma irregular, seja na área rural ou nas cidades. Planaltina por exemplo, tem 150 anos e existem bairros que não tem escritura. Várias cidades do DF não possuem documentação dos lotes. Nós conseguimos aprovar uma emenda dando o mesmo direito para quem edificou e para quem não edificou, o que não estava sendo comtemplado na proposta original. Conseguimos aprovar também a questão dos condomínios fechados que não estava sendo previsto na emenda. O GDF estava derrubando as guaritas e muros, o que a legislação não permitia. Nós conseguimos aprovar uma emenda, onde se consolidou os condomínios e loteamentos fechados. A metade dos conjuntos habitacionais já poderiam estar regulamentados se não fossem os altos preços. O problema é que o GDF conseguiu quebrar a Terracap, e não foi somente por causa do estádio nacional. Nós fizemos um levantamento e constatamos que a empresa já está com problemas financeiros desde antes da construção do estádio. A Terracap não paga os dividendos da União desde 2011, que chega a quase 2 bilhões. Em relação aos valores, eu fiz uma emenda onde além das benfeitorias, você pode deduzir do preço, a valorização que estas benfeitorias proporcionaram ao empreendimento, isso pode abater muito o preço.

AC – O DF passa por uma renovação bastante significativa nas suas principais lideranças. Políticos que a pouco tempo eram tidos como certos para uma disputa majoritária, hoje provavelmente nem entrem na disputa. Como o senhor avalia esta situação?

Izalci – Realmente o cenário o político é preocupante. Há um ditado popular que diz que “aquele que não gosta de política, vai ser governado por quem gosta”. As pessoas de certa forma estão indignadas e preocupadas, com tantos problemas que assola a classe política. Tenho feito muitas reuniões em todo o Distrito Federal, e construindo junto à população e lideranças, um projeto exequível de governo para o DF. Precisamos envolver nossos jovens na política, mostrando a eles que é somente através da participação popular que teremos um futuro mais próspero. Nós estamos fazendo um levantamento das necessidades e dos principais problemas do DF. As pessoas precisam participar mais e cobrar mais de nossos governantes, não votando em pessoas, mas sim num projeto de governo para nossa cidade. O cidadão de bem tem que avaliar qual é a proposta dos candidatos, acompanhar o seu trabalho, e fazer uma escolha melhor para não sermos mais surpreendidos. Acho que hoje a população está mais atenta. Não basta dizer que vai se resolver os graves problemas e fazer promessas de campanha impossíveis de se realizar, mas sim projetos viáveis.

AC – Temos visto diariamente através da mídia, problemas recorrentes na área da saúde, como falta de médicos, falta de insumos, equipamentos quebrados, falta de leitos, etc. Caso o senhor seja eleito governador, qual será sua proposta para mudar a realidade da saúde pública do DF que no passado foi referência nacional?

Izalci – Não é somente na pasta da saúde. Na prática você tem esses problemas em todas as áreas exatamente por falta de gestão do atual governador. O Distrito Federal em relação aos outros estados é privilegiado quanto ao repasse dos recursos federais previsto na Constituição. Você tem recursos disponíveis, mas infelizmente o atual governo não sabe como aplicá-los. As pessoas esperam que o serviço público seja de boa qualidade. É muito comum aqui no DF, as emendas parlamentares não serem executadas por falta de cumprimento de exigências técnicas. Hoje quando um equipamento fica quebrado nos hospitais, todo o atendimento fica prejudicado pela falta de contrato de manutenção. Esses dias por exemplo, o tomógrafo do hospital de base estava quebrado, e todo atendimento ao paciente ficava interrompido. O médico para fazer o diagnóstico correto, necessita dos exames. Não adianta querer simplesmente mudar o modelo de gestão, se os profissionais estão desmotivados por falta de condições de trabalho. Recentemente os órgãos de fiscalização, divulgaram um relatório de quase mil páginas, apontando os problemas recorrentes nos hospitais da rede pública, como o improviso, máquinas paradas, falta de gestão e de material em todos os hospitais do DF. As UPAs que foram inauguradas para desafogar os Prontos Socorros, estão totalmente sucateadas. Faltam médicos, enfermeiros e auxiliares. De acordo com dados do Ministério da Saúde, as UPAs deveriam atender no mínimo 350 pacientes/dia. No DF são atendidos em média, apenas 80 pacientes. Temos conversado com os servidores e podemos perceber o quanto que eles estão desiludidos com a atual gestão. Estamos trabalhando junto com profissionais da saúde, para mostrarmos a população que o DF tem jeito sim, o que falta é compromisso. Você tem muitos recursos da área federal que poderiam vir para Brasília através de convênios.  Não vi o governador correndo atrás destas parcerias.  O que mais vejo em Brasília, são prefeitos e governadores todos os dias procurando convênios para seus estados e municípios. Não podemos eleger os servidores e sindicatos como nossos inimigos. Pelo contrário eles podem e muito contribuir para a melhoria da saúde.

AC – Muitas pessoas acham que o senhor está blefando em sair candidato ao governo do DF. O PSDB vai realmente lhe apoiar, ou ficará em cima do muro como fez com o então candidato Pitiman?

Izalci – Estive recentemente com toda a Executiva Nacional do meu partido o PSDB, e posso afirmar que eles me apoiarão. Sou pré-candidato ao governo do DF, e estamos construindo junto com a população um projeto viável para nossa cidade. Aqui em Brasília, diferente de outros estados, o Rodrigo Rollemberg sempre esteve caminhando junto com o PT. Em todas as eleições sempre estiveram juntos, com exceção da última. Eu tenho hoje o apoio de toda a nacional. Estou convencido que é uma prioridade para o partido, as eleições no DF. O nosso partido tem tradição de possuir excelentes gestores nos seus quadros, e para aqueles que quiserem caminhar conosco, as portas estarão abertas. Hoje a realidade do PSDB no DF é bem diferente de quando o Pitiman foi candidato. A conjuntura política nos favorece bastante.

AC – Existe a possibilidade de numa ampla composição, o senhor sair a vice-governador ou até mesmo vir a disputar o Senado?

Izalci – Como disse anteriormente, sou pré-candidato ao governo do Distrito Federal. Tenho trabalhado muito neste sentido, ouvindo a população e suas reivindicações. Estamos abertos ao diálogo e tenho conversado constantemente com outros pré-candidatos, inclusive com o Jofran Frejat. Acho que ele seria um excelente senador por Brasília e consolidaria sua trajetória política. Só não faremos aliança, com o PT, PCdoB, e outros partidos da esquerda que pararam no tempo.

Da Redação do Agenda Capital

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *