Goiás: Argentina quer copiar modelo brasileiro de produção de algodão

 Brenno Sarques

Intercâmbio com o Brasil é visto como forma de modernizar a cotonicultura do país vizinho

Uma comitiva de 20 produtores e profissionais envolvidos com a cotonicultura argentina estiveram em Goiânia para conhecer o sistema de produção e beneficiamento de algodão goiano. O grupo esteve na Associação Goiana dos Produtores de Algodão (Agopa) para se informar sobre os serviços que são prestados aos produtores, além de suas políticas, ações de promoção do algodão, pesquisa e mercado. Outras iniciativas tratam da relação entre a produção e o consumidor final, compradores internacionais e combate a pragas no campo.

A presença da comitiva também serviu para atualizar o intercâmbio de informações sobre métodos de combate a doenças e insetos do algodoeiro e manejo da lavoura. Os produtores argentinos tiraram dúvidas, mostraram técnicas, leis, similaridades e diferenças nos sistemas produtivos de ambos os países. O combate ao bicudo chamou a atenção, pelo fato de ser uma praga que ultrapassa fronteiras e gera impactos nos produtores daqui e do país vizinho.

Outro foco da visita foi verificar o modelo de análise e os serviços prestados pelo laboratório de classificação da Agopa. As informações técnicas sobre a análise e classificação da pluma são importantes para inserir a produção no mercado internacional, meta a ser alcançada pelos argentinos.

Para o pesquisador do Instituto Nacional de Tecnologia Industrial da Argentina (Inti), Luís Areal. Há uma grande diferença entre os sistemas de produção brasileiro e argentino. “Viemos aprender e tentar adaptar nosso sistema, que é centenário”, confessa.

Para o Diretor do Inti, Ramiro Casoliba, o cenário da produção goiana surpreendeu pela organização e tecnologia utilizada para categorizar o algodão. O diretor acredita que o intercâmbio entre os dois países pode fortalecer a cotonicultura argentina. “Em nosso país não existe um laboratório como este que conheci em Goiás”, resume.

Diretor comercial da Cotimes Brasil, Paulo Vicente Ribas tem acompanhado a comitiva desde sua chegada em Brasília, onde conheceram a Associação Brasileira de Produtores de Algodão (Abrapa). Para Paulo, os produtores argentinos estão se inspirando no modelo brasileiro para desenvolver sua cotonicultura. O diretor lembra que profissionais brasileiros estão indo à Argentina participar de debates e workshops desde 2016, enquanto comitivas são formadas para virem ao Brasil. “O aproveitamento quanto às informações repassadas pelos parceiros brasileiros está acima das expectativas. Há grande interesse dos argentinos em aprender com os brasileiros”, conclui. A comitiva saiu de Goiânia com destino ao Mato Grosso.

Texto e Fotos: Brenno Sarques

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