CIRO X HADDAD como opção contra Bolsonaro: O retorno!

Por Alexandre Morgado

Para quem acompanhou a analise anterior, trago sua atualização. E adianto: tenho más notícias!

Tomo apenas o tempo antes para repetir que pesquisa eleitoral, para mim que trabalho com pesquisa, é apenas DataFolha, Ipsos e Ibope. Uma enxurrada de gente me enviou a pesquisa da Vox Populi que eu rejeito como tendenciosa e irresponsável, veja o porquê:

Sobre o estudo da Vox Populi (de hoje) que coloca o Haddad com votos acima do Bolsonaro quando "apresentado como o…

Publicado por Alexandre Morgado em Quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Como já saíram os dados novos Datafolha 5 dias depois da última análise, trago a atualização. Vou fazer em cima dos dados anteriores.
Jair Bolsonaro (PSL): cresceu de 24% para 26%
Ciro Gomes (PDT): estável em 13%
Marina Silva (Rede): caiu de 11% para 8%
Geraldo Alckmin (PSDB): caiu de 10% para 9%
Fernando Haddad (PT): cresceu de 9% para 13% (todos os demais, menos de 3%).

Novamente, como a pesquisa tem uma possível margem de erro de 2% pra cima ou 2% pra baixo (desvio padrão), podemos afirmar que nada mudou para Ciro e Alckmin, a queda real está em Marina, e o crescimento real em Haddad.

Aí você me diria: então é possível que o Bolsonaro não tenha crescido também, pois foi só 2%. Possível é, mas só se olharmos da última leitura para cá, olhando o longo prazo, ele sempre esteve em tendência de crescimento, cresce ali consistentemente 2% ao mês. Então é razoável concluir que cresce, ainda mais depois do “efeito facada”, que ainda não era presente na última leitura do dia 10. O “efeito facada vai se sentir especialmente presente no segundo turno.

Sobre Haddad, o crescimento mostra que a transferência de votos e/ou a nova publicidade do PT tem mostrado resultado, e com isso ele pode vir a garantir um espaço no segundo turno, foi o maior crescimento da leitura. Outra coisa, como comentei na análise anterior, é o efeito “TV ABERTA” que sempre beneficia os partidos com maior tempo de TV (que é distribuído de acordo com as maiores bancadas no congresso). Por isso, no longo prazo sempre PT e PSDB são beneficiados, embora Alckmin não consiga emplacar de jeito nenhum. Ciro e Marina vão sofrer por falta de TV, e a não ser que se mantenham relevantes por outras mídias, tem tendência a crescer menos (no caso do Ciro) ou cair (no caso da Marina).

Não foi sentido, no entanto, como já esperado, aquela transferência de votos massiva de Lula com seus quase 30 e tanto % de intenção de votos para Haddad, na verdade, todos os candidatos, com exceção de Marina, foram beneficiados por uma transferência de votos bem distribuída.
E as rejeições?
Bolsonaro: cresce de 43% para 44%
Marina: cresce de 29% para 30%
Alckmin: cresce de 24% para 25%
Haddad: cresce de 22% para 26%
Ciro: cresce de 20% para 21%

Todas as rejeições estão dentro da margem de erro da pesquisa e não devem ser consideradas, com exceção da de Haddad, que cresce 4%. Com a oficialização da campanha, Haddad entra nos holofotes, cresce em intenção de votos, mas também entra nos holofotes dos adversários, crescendo em rejeição. Ele também havia partido de 21% de rejeição na leitura anterior, ou seja, está cumulando 5 novos pontos percentuais em 10 dias.

E o segundo lugar? Quem vai pro segundo turno com Bolsonaro? A disputa agora está clara entre Ciro e Haddad. A não ser que algo radical aconteça que impulsione os candidatos Alckmin e Marina, eles estão praticamente fora do páreo.

No segundo turno, no entanto, temos notícias preocupantes. O crescimento de Bolsonaro refletiu em TODOS os cenários, e agora ele diminui a chance de perder no segundo turno para todos os candidatos. Vamos aos números, do mais seguro para o menos seguro:

Ciro x Bolsonaro: de 45% x 35% para 45% x 38%
Alckmin x Bolsonaro: de 43% x 34% para 41 x 37%
Marina x Bolsonaro: de 43% x 37% para 43% x 39%
Haddad x Bolsonaro: de 39% x 38% para 40% x 41%

De cara, os números da última análise se confirmam: Ciro segue sendo o candidato com mais segurança para o segundo turno, e Haddad o com menos segurança (inclusive, antes 1% acima, agora 1% abaixo).

Vamos fazer um cenário HIPOTÉTICO, não é um número DATAFOLHA, é um cálculo meu (atenção! é um cenário de estatística simples, ele ignora movimentação de brancos e nulos, e ele pode E DEVE ser ajustado na próxima leitura, se os candidatos crescerem menos ou mais).

Vou aplicar tanto para Bolsonaro quanto para os Competidores metade da movimentação que o candidato apresentou na última leitura (em cada cenário de versus) por mais quatro leituras (é o que tem até a eleição). Como ficariam os resultados?

Exemplo: Marina ficou estável, então não tem movimentação. Bolsonaro cresceu 2%, vou aplicar mais 1% por leitura, ou seja, +4% em 4 leituras. Como ficaria no dia da eleição?
Marina x Bolsonaro: 43% x 43% (empate)

Alckmin caiu 2%, então vou aplicar -1% por leitura, total de -4%. Bolsonaro cresceu 3%, vou aplicar +1,5% por leitura, total de 6%
Alckmin x Bolsonaro: 39% x 41% (vitória Bolsonaro)

Ciro fica estável, então não tem movimentação. Bolsonaro cresce 3%, vou aplicar +1,5% por leitura, total de 6%.
Ciro x Bolsonaro: 45% x 44% (vitória Ciro)

Haddad cresce 1%, então vou aplicar +0,5% por leitura, total de 2%. Bolsonaro cresce 3%, vou aplicar +1,5% por leitura, total de 6%.
Haddad x Bolsonaro: 41% x 47% (vitória Bolsonaro)

Por pura curiosidade, se eu DOBRAR o que o Haddad cresceria nas próximas leituras, ou seja, aplicar +1%, total de 4%, o cenário ainda fica:
Haddad x Bolsonaro: 42% x 47% (vitória Bolsonaro)

Por ainda mais curiosidade, se eu TRIPLICAR o que o Haddad cresceria nas próximas leituras, ou seja, aplicar +1,5%, total de 6%, o cenário ainda fica:
Haddad x Bolsonaro: 44% x 47% (vitória Bolsonaro)

Como eu sou mesmo MUITO CURIOSO, se eu QUADRUPLICAR o que o Haddad cresceria nas próximas leituras, ou seja, aplicar +2%, total de 8%, o cenário ainda fica:
Haddad x Bolsonaro: 46% x 47% (vitória Bolsonaro)

Gente, eu não estou fazendo nenhum caso contra o Haddad, apenas aplicando cálculos simples de projeção de crescimento. Meu sentimento em relação ao Haddad segue sendo de PERIGO, não pelo primeiro turno, que agora parece um bom cenário para o candidato, mas pelo segundo turno, onde o sentimento de antipetismo agrupa-se em volta de Bolsonaro, no cenário onde ele ganha mais votos. A não ser que Haddad cresça CINCO VEZES MAIS do que cresceu nessa última leitura, ele vai perder o segundo turno, e mesmo se crescesse 5x, ia ganhar por arriscados 1%. E se o Bolsonaro crescer míseros 2% a mais do que já lhe é tendência orgânica?

Em resumo: PERIGO. Se o seu objetivo é motivado pelo desespero, se o foco é impedir que o Bolsonaro ganhe (como é o meu), saiba que com Haddad o futuro é incerto, e com Ciro, muito mais seguro.

Novamente, boa sorte pra todos nós que sentem que nenhuma das opções hoje representa os reais interesses da população, e que estamos, mais uma vez, perpetuando a “velha política”, mas que temos mais medo de Bolsonaro presidente para o bem da nação do que qualquer outra coisa.

Alexandre Morgado é publicitário e especialista em pesquisas eleitorais. Natural de Bauru e hoje residente em São Paulo

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