Senador Vanderlan Cardoso diz em O Mundo em sua Casa que o maior problema do Brasil é a enorme dívida pública

Em entrevista hoje (7/10) ao programa O Mundo em sua Casa, das Rádios Brasil Central AM e RBC FM, o senador Vanderlan Cardoso (PP) defendeu que o país volte toda sua força política para discutir e encontrar soluções para a questão da dívida pública, que na opinião dele é prioridade absoluta. “O maior problema nosso é a dívida pública e esse debate ainda não começou direito. Parece ser tabu falar em dívida pública em nosso país. Ela é que anda acabando com o dinheiro do trabalhador, que inibe as empresas de investir, é que faz o custo Brasil ficar incontrolável. Quem vai investir se não tiver regras claras? Estamos trabalhando os mecanismos para dividir essa monstruosa dívida pública para pelo menos metade dela e nós temos condições para isso”, observou Vanderlan.

Ele enumerou, em ordem decrescente, as prioridades hoje para o país: Dívida pública, Reforma Tributária, Pacto Federativo e Reforma da Previdência. Disse que gosta de trabalhar números e aprofundar neles, por isso a dívida pública é a mais importante. Esse debate, segundo ele, já começou no Senado, chamando os entes para discutir e saber porque essa dívida chegou nesse montante absurdo. “Nos últimos 10 anos, essa dívida saiu de R$ 1 trilhão 750 bilhões para (Estado municípios e União – esta em torno de 70%) R$ 5 trilhões e 500 bilhões. E se pagou R$ 1,8 trilhão de juros”, e essa dívida representa 80% do PIB. Observou que em países onde a dívida passa de 100% do PIB, como EUA e Japão, eles fazem dívida para fazer investimento. “A diferença é que aqui nós fazemos para pagar dívida”, acrescentou.

Informou que só para 2019, na rolagem da dívida e juros, o Brasil terá de dispender R$ 1 trilhão e 400 bilhões. Afirmou que o discurso da previdência não é como estão pensando, que vai acabar no dia seguinte o problema fiscal do país: “A previdência em 10 anos vai gerar uma receita de menos de R$ 1 trilhão. O problema não é a previdência como estão passando”. No entanto, vê como importante também que a reforma da previdência já está encaminhada e será votada em segundo turno logo, logo no Senado. Na opinião dele, a reforma da previdência corrige distorções e alguns privilégios que há, mas não vai resolver todos os problemas como as pessoas estão pensando.

À pergunta sobre a dívida dos municípios, Vanderlan disse que ela vai além da capacidade de arrecadação, “é mais um problema administrativo e que os gestores que a fizeram precisam ser punidos. Não se pode gastar mais do que arrecada, porque aí a coisa estoura. A lógica é essa. É preciso trabalhar com precaução e com responsabilidade administrativa. Foi assim que trabalhei na prefeitura de Senador Canedo”, e também investindo na qualificação profissional, na educação, nos cursos, na saúde, nos distritos industriais e na segurança. Assegurou que o mecanismo de uma boa e responsável administração, com rigidez na questão fiscal, é o mesmo em um município, no Estado e no país.

Falou também sobre a questão dos juros altos e que estão asfixiando, por exemplo, as Santas Casas no Brasil. E citou o exemplo da Santa Casa de Anápolis, que está pagando para a Caixa uma exorbitância de juros e a emenda que ele conseguiu no Orçamento da União, de R$ 1 milhão, não será suficiente para amortizar praticamente nada. Disse que buscou a Caixa para renegociar os juros. “As Santas Casas não dão calote, estão é quebrando, fechando UTIs e atendimento. A proposta que conseguimos negociar foi de baixar mais de 50% desses juros que as Santas Casas pagam, de 23% para 11%. Mas a taxa de juros da Selic, por exemplo, está em 5,5%”, observou.  Ele acha que esses juros ainda podem baixar mais, para 7%, por exemplo. Fez uma crítica velada aos governos do PT, que emprestaram a juros baixos para Cuba revigorar o Porto de Muriel, e também recursos para Angola e que hoje não estão sendo pagos, o Brasil está levando calote.

Defendeu um encontro de contas com juros mais baixos para viabilizar a área filantrópica da saúde. Cobrou também uma melhor distribuição dos recursos dos Fundos Constitucionais, como é o caso do FCO e disse que a PEC paralela da previdência só surgiu porque os governadores demoraram na atuação para que estados fossem incluídos, ressalvando o trabalho de alguns governadores, como o caso do de Goiás, Ronaldo Caiado, que lutou por isso desde o início. Ao final, criticou aqueles políticos que querem que a legislação seja decidida por opinião de rede social. “Então, vamos acabar com tudo, com a representação, e ficar votando pela rede social”, condenou. Disse ainda que não assinou a CPI da Lava Toga, porque acredita que ela “não vai dar em nada”.

Sobre sua atuação parlamentar, observou que preside a Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado, uma das 16 da Casa, com uma produção de 29% de todo o resultado das comissões, tudo isso porque trabalha por uma legislatura mais produtiva. O programa O Mundo em Sua Casa é apresentado por Gil Bonfim, e Augusto Diniz, com comentários de Lehninger Mota.

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