Capacitismo: o que aprendemos sobre ele em setembro?

Por Flávia Albaine

O mês de setembro terminou, mas as reflexões trazidas pelo Setembro Verde (mês oficial de luta pela inclusão social da pessoa com deficiência) permanecem.

Um dos assuntos debatidos durante o mês foi o capacitismo. A expressão ainda é pouco conhecida, mas é muito importante saber o seu significado para poder combatê-lo e auxiliar na luta pela inclusão social da pessoa com deficiência.

Capacitismo é o movimento de exclusão de pessoas com deficiência. O nome é um neologismo que remete à falta de capacidade da pessoa por causa de sua deficiência. Da mesma forma que o machismo é o movimento de opressão da mulher e o racismo é o preconceito contra a população negra, o capacitismo consiste na exclusão social de pessoas por conta de suas deficiências.

Dentro desse contexto de combate ao capacitismo, um grande desafio a ser enfrentado é a conscientização social sobre a falta de acessibilidade, assim como a necessidade de eliminação de barreiras.

Muitas pessoas não têm noção sobre a importância da acessibilidade, pois não vivenciam isso em suas rotinas, então, acabam se esquecendo que as pessoas com deficiência também possuem direito de ter acesso aos locais e às informações, além de vivenciarem os seus direitos e deveres em condições de igualdade com os demais.

Ou, às vezes, até possuem a informação, mas não têm condições financeiras de investir em acessibilidade (lembrando que acessibilidade é um dever, mas é fato que algumas tecnologias assistivas são caras).

É difícil encontrarmos uma atividade ou um local que seja totalmente acessível para todos os tipos de deficiência.

Infelizmente, ainda vivemos em uma sociedade despreparada para permitir que as pessoas com deficiência gozem de seus direitos e deveres em condições de igualdade com os demais.

O modelo social de abordagem da deficiência – modelo que está em vigor na atualidade tanto em âmbito interno, como em âmbito internacional – traz à tona a importância de a sociedade se adaptar para que haja a eliminação das barreiras sociais que dificultam e impedem a inclusão desse grupo de pessoas, e a data reforça essa reflexão que deve ser feita por todos nós: o que cada um de nós tem feito no exercício de seus papéis sociais para contribuir com uma sociedade mais inclusiva em prol da pessoa com deficiência?

Em nota:

No dia 16/09, como um dos eventos do Setembro Verde promovidos pelo Juntos pela Inclusão Social, a Flávia Albaine foi mediadora de um debate sobre capacitismo no canal do YouTube do seu projeto, que contou com a participação de Wemer Wesbom, Defensor Público do Distrito Federal, e Patrícia Lorete, fundadora do “Janela da Patty”, ambos pessoas com deficiência.

Para conferir o vídeo, acesse www.youtube.com/watch?v=_CJF0v9ThHc

Quem é Flávia Albaine?

Bacharel em Direito pela UFRJ (2008), é mestranda na Universidade Federal de RO e especialista em Direito Privado pela UERJ (2016). Atualmente é Defensora Pública do Estado de RO, colunista de educação em direitos da Revista Cenário Minas (desde maio 2018), membro integrante da Comissão de Pessoas com Deficiência e Comissão dos Direitos da Mulher da Associação Nacional de Defensoras e Defensores Públicos (desde julho 2018) e criadora do Projeto Juntos Pela Inclusão Social – www.facebook.com.br/juntospelainclusaosocial/ @juntospelainclusaosocial.

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