Tecnologia e carinho salvam vidas no Hospital de Santa Maria 

HRSM registra mais de 2 mil chamadas de vídeos para ajudar pacientes e familiares a superar a pandemia 

Em tempos de pandemia, quando pacientes infectados pela covid-19 têm que ser isolados de parentes e amigos, qualquer contato entre os internados e seus familiares é importante para diminuir a angústia, resgatar a fé e até mesmo ajudar na recuperação física e mental das vítimas diretas e indiretas do coronavírus. Nessa guerra, a tecnologia, a dedicação e o carinho são armas que estão usadas pelo Hospital Regional de Santa Maria (HRSM) para salvar vidas. 

Desde abril de 2020, o HRSM oferece um serviço de teleatendimento via vídeo. O serviço conecta os profissionais de saúde aos familiares e aos pacientes através de ligações com imagens de câmera feitas de celular ou de tablete. Desde que o serviço foi implantado até junho de 2021, foram registrados 2.675 atendimentos virtuais, segundo informou, nesta terça-feira (17), a chefia de psicologia do HRSM, unidade administrada pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde (IGESDF). “Com o teleatendimento estamos humanizando os processos hospitalares”, explica Mayara Soares, uma das 11 psicólogas do HSRM. 

O serviço, que funciona de segunda a sexta-feira, possibilita aos psicólogos repassarem ao vivo, por meio de chamadas de vídeos, informações sobre a as rotinas hospitalares e atendimento da psicologia. “A gente checa sobre a compreensão da família diante do quadro clínico dos pacientes e da internação, além de prestar um atendimento de suporte”, detalha Mayara. 

A experiência dos Alcântara 

Quando os pacientes melhoram, os psicólogos colocam os familiares para falar diretamente com os enfermos. Esse contato virtual também ajuda na recuperação dos doentes e na revitalização da esperança dos parentes. Foi o que aconteceu com o casal Ana Maria e Laerte José Alcântara, que passou pela experiência do atendimento a distância via ligação de vídeo. 

Ana é merendeira escolar e tem 34 anos de idade. Laerte é agente de segurança pública e tem a mesma idade de Ana. Eles estão casados há sete anos, têm um garoto de quatro anos de idade (Davi) e moram em Brazlândia. Ali, Laerte foi diagnosticado com covid-19 no dia 10 de junho. Cinco dias depois, foi encaminhado para o Hospital de Ceilândia e depois, transferido às pressas para o Hospital de Santa Maria. 

O estado de Laerte era muito grave. Ele estava com 50% dos pulmões comprometidos, febre alta e cansaço extremo. Foi logo internado na UTI Covid-19 do Hospital de Santa Maria. Apesar dos esforços dos médicos, a saúde dele piorou. Teve que ser intubado. Passou 11 dias respirando com a ajuda de aparelhos. 

Ana Maria acompanhou a situação do marido pelo serviço de teleatendimento. 

Toda semana, ela recebia ligação de algum psicólogo do hospital para saber como a mulher estava. “Essas ligações me aliviavam muito porque, eles sempre ligavam para esclarecer dúvidas e prestar um apoio”, relata Ana Maria. “Tinha dias que era difícil, mas essa comunicação diminuía muito o nosso sofrimento: meu, do nosso filho Davi e de toda família”. 

 A surpresa via celular 

Mas o paciente reagiu bem ao tratamento. Aos poucos foi melhorando até recuperar a consciência.  “Lembro de acordar muito confuso, sem entender o que estava acontecendo comigo”, conta Laerte. Passados 11 dias, os médicos decidiram extubá-lo. Em 29 de junho, três dias após a extubação, os psicólogos do teleatendimento decidiram fazer uma surpresa ao casal. 

Ana Maria recebeu mais uma chamada de vídeo da equipe do hospital. Mas dessa vez quem estava na tela não era nenhum psicólogo. Era o marido dela, Laerte, ao vivo e a cores. Ele estava debilitado, mas se mostrava feliz por rever Ana, Davi e a família. 

“Apesar da minha dificuldade em falar, eu fiquei muito emocionado”, relata Laerte. “Eu senti muita falta deles durante todos os dias em que passei no hospital. Foi um grande alívio poder ver e ouvir minha mulher, meu filho, minha família…”. 

Os médicos contam que a partir desse encontro virtual, o quadro clínico de Laerte só foi melhorando. Já sem o aparelho que o ajudava a respirar, Laerte passou a fazer exercícios físicos para se reabilitar das seqüelas da doença. Assim, ficou mais 10 dias internados na UTI até ser transferido para a Enfermaria, onde ficou dois dias até ser liberado e ir para casa. 

 Uma data para não esquecer 

8 de julho de 2021. Esta data entrou para sempre na vida da família Santana. Naquele dia, Laerte, Ana Maria e Davi se reencontraram. “Quando cheguei em casa, minha família estava toda lá para me receber, com placas de boas-vindas e de que eu tinha vencido a covid-19”, relembra emocionado. 

“Para mim essa data representa meu renascimento. Sobrevivi porque foi tratado com muita dedicação, com muito amor. Só consigo agradecer pelos cuidados que recebi no HRSM e pela oportunidade de me curar de uma doença difícil e fatal”, declarou. 

Feliz com o retorno do marido, Ana Maria fez questão de formalizar sua gratidão aos profissionais de saúde do HRSM, “verdadeiros anjos”. Diz ela na mensagem que enviou para a Ouvidoria do Governo do Distrito Federal: “Estou muito feliz por ele ter voltado pra casa tão bem cuidado e curado. Agradeço toda hora a Deus e a vocês, equipe de saúde, por serem tão cuidadosos. Obrigada, obrigada e obrigada”. 

 

Reportagem: Thais Umbelino 

Fotos: Davidyson Damasceno/Ascom IGESDF

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