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Hospital Edson Ramalho reduz mortalidade na UTI com reforço da odontologia hospitalar

Uma redução expressiva na mortalidade da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital do Servidor General Edson Ramalho (HSGER), que integra a re...

20/03/2026 16h20
Por: Redação Fonte: Secom Paraíba
Foto: Reprodução/Secom Paraíba
Foto: Reprodução/Secom Paraíba

Uma redução expressiva na mortalidade da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital do Servidor General Edson Ramalho (HSGER), que integra a rede do Governo da Paraíba – gerenciada pela Fundação Paraibana de Gestão em Saúde (PB Saúde) em João Pessoa – tem chamado a atenção para um cuidado muitas vezes invisível, mas decisivo: a saúde bucal. No primeiro bimestre de 2025, a taxa de mortalidade na UTI era de 34,78%. No mesmo período de 2026, o índice caiu para 13,89% – uma redução de 23,89 pontos percentuais.

Entre os fatores que contribuíram para esse resultado está a atuação integrada da odontologia hospitalar, diretamente ligada à prevenção de infecções e à segurança do paciente. Dentro da rotina hospitalar, especialmente em ambientes críticos como a UTI, o cuidado com a boca deixou de ser apenas um procedimento básico e passou a ser uma estratégia assistencial.

A lembrança do Dia Mundial da Saúde Bucal, celebrado nesta sexta-feira (20), reforça a importância de um cuidado que, no Hospital Edson Ramalho, já faz parte da rotina assistencial e impacta diretamente na sobrevivência dos pacientes. Mais do que uma data simbólica, o momento chama atenção para a necessidade de incorporar a saúde bucal como estratégia permanente de prevenção de infecções – especialmente em ambientes críticos como a UTI, onde uma boca sem cuidados pode representar riscos graves e até fatais.

A coordenadora de Enfermagem da UTI e da semi-intensiva, Othilia Maria, destaca que a presença da odontologia tem impacto direto nos desfechos clínicos. “Dentro da UTI, a odontologia tem um papel essencial. O cuidado com a saúde bucal vai muito além da higiene, ele é uma estratégia direta de segurança do paciente. Infecções como a pneumonia associada à ventilação mecânica e a sepse estão entre as principais causas de piora clínica e óbito em pacientes críticos – e muitas delas têm origem na cavidade oral. Com a atuação da equipe de Odontologia, conseguimos reduzir a carga bacteriana, prevenir infecções e melhorar a evolução clínica dos pacientes”, afirmou.

Boca: porta de entrada de infecções

A explicação está no próprio funcionamento do organismo. Em pessoas saudáveis, mecanismos naturais – como o muco e os cílios do epitélio do sistema respiratório – ajudam a filtrar impurezas e microrganismos. Já em pacientes sob ventilação mecânica, esse sistema de defesa é interrompido pelo tubo orotraqueal.

Nesse cenário, a boca se torna uma das principais portas de entrada de vírus e bactérias. Se houver acúmulo de biofilme dental (placa bacteriana), esses microrganismos podem ser aspirados para os pulmões, aumentando significativamente o risco de pneumonia hospitalar – uma das infecções mais comuns e perigosas em UTIs.

Muito além da limpeza dos dentes

Engana-se quem pensa que o atendimento odontológico hospitalar se resume à limpeza da boca. A responsável técnica da Odontologia do HSGER, dra. Andreia Medeiros, explica que o cuidado odontológico é amplo e integrado à saúde geral do paciente.

“Após um período de internação no ambiente hospitalar, a microbiota bucal muda e as bactérias se tornam mais patogênicas, com maior capacidade de causar doenças. No paciente de UTI, esse risco é ainda maior pela dificuldade de controle de biofilme da boca e do tubo e pela baixa imunidade do paciente. Se o controle de biofilme bucal não for feito de maneira adequada, o risco de desenvolver pneumonia é altíssimo”, alerta.

Ela destaca que a avaliação odontológica inclui desde a escuta qualificada do paciente (se consciente e orientado) até a análise de tecidos moles, dentes, gengivas e da produção salivar. “Nós investigamos a presença de lesões orais [traumáticas, manifestações bucais, infecciosas ou neoplásicas], focos de infecção aguda, cárie dentária, doenças periodontais, dentes com mobilidade com risco de aspiração, dentes fraturados, sangramentos, presença de próteses dentárias e sinais que podem indicar doenças sistêmicas. A boca pode revelar muito sobre a saúde do paciente”, explica.

Segundo Andreia, condições como diabetes podem se manifestar na cavidade oral com sintomas como sensação de boca seca, maior incidência de infecções oportunistas, como candidíase oral, e doença periodontal mais avançada. Já pacientes com problemas renais ou hepáticos podem apresentar aumento do volume da língua, sangramentos gengivais espontâneos, ulcerações e alterações no hálito. Em pacientes oncológicos, especialmente em neoplasias que atingem a medula óssea, são comuns úlceras, inflamações e sangramentos gengivais.

“A ausência desse diagnóstico e cuidado odontológico pode comprometer a avaliação e recuperação. Um paciente com dor, infecção ou lesão na cavidade bucal pode ter dificuldade para se alimentar, piora do quadro clínico e maior risco de infecções sistêmicas”, reforça.

Trabalho conjunto salva vidas -No HSGER, o atendimento odontológico é realizado diariamente, com busca ativa nos setores de pacientes críticos, como a UTI e a semi-intensiva. Em 2025, a equipe realizou 16.196 procedimentos e atendeu 4.219 pacientes. A UTI adulto concentrou a maior parte da demanda, com 7.290 procedimentos odontológicos.

Entre os procedimentos mais realizados estão terapias com laser de baixa intensidade – como fotobiomodulação e terapia fotodinâmica em lesões da cavidade bucal –, tratamentos periodontais básicos, adequação do meio bucal com remoção de biofilme, crostas e saburra lingual e exodontias em casos de infecção aguda ou mobilidade dentária.

O serviço também atua em enfermarias e outros setores do hospital, mediante solicitação médica, além de atender pacientes no ambulatório, como os que estão em pré-operatório de cirurgia bariátrica e na maternidade, realizando frenotomias em recém-nascidos com anquiloglossia (língua presa).

Esse trabalho é feito em parceria com o Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH), responsável por monitorar riscos e garantir o cumprimento de protocolos de segurança. A enfermeira do SCIH, Rayanne Alves, explica que a prevenção de infecções exige vigilância constante e atuação multiprofissional.

“A equipe realiza auditorias de higienização das mãos, visitas técnicas para verificar a biossegurança, monitoramento de culturas do aspirado traqueal e vigilância da pneumonia associada à ventilação mecânica, além de promover educação permanente e acompanhar a adesão aos protocolos”, detalha.

Cuidado individualizado -Andreia Medeiros reforça que os cuidados com a saúde bucal devem ser individualizados, considerando a idade, condição clínica e necessidades de cada paciente. Desde o tipo de escova até a quantidade de creme dental e as técnicas de higienização variam conforme o perfil.

No ambiente hospitalar, esse cuidado ganha ainda mais relevância. “A odontologia está dentro da unidade para garantir o cuidado integral. Nós promovemos conforto, qualidade de vida, prevenimos infecções na boca e também sistêmicas, que podem aumentar o tempo de internação do paciente”, afirma.

Reconhecida pelo Conselho Federal de Odontologia desde 2015, a Odontologia Hospitalar vem se consolidando como uma aliada indispensável na segurança e qualidade de vida do paciente – e, como mostram os números do HSGER, pode ser determinante para salvar vidas.

Foto: Reprodução/Secom Paraíba
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